O peixe sem nome
Posted on | Outubro 6, 2004 | 15 Comments
Tenho agora a porcaria de um peixe.
O peixe não tem nome. Já o (ex)gato, que nem era meu, descobriu-se que precisava de nome quando passou a tenra infância a visitar o veterinário todos os dias, graças a uma coriza da parte da mãe. À frase da primeira consulta, ai que lindo,tadinho tão pequenino e tão doentinho e como se chama o bichinho?, respondi, essa porcaria de bicho que me obriga a vir aqui gastar uma fortuna todos os dias, chama-se Gato e vai com sorte. E na ficha do veterinário (que enriqueceu mais um bocado à minha custa), passou a constar como Gato Campos.
O Gato Campos sobreviveu à coriza, a uma queda de um quarto andar (quando se mudou com a dona que não era eu), aos abraços estrafegados de sobrinhos e acabou por se finar (com grande lágrimas da dona que não era eu), já nem sei de quê. Má vida, provavelmente.
O Peixe Campos é outra conversa. Sobreviveu por mero acaso a uma mudança do saco de plástico onde vinha para o aquário: enchido o aquário de água e despejado o saco para dentro, ficou a porcaria do peixe encravado no plástico, mas com umas pancadas lá seguiu para onde devia. Depois fui avisada pela minha amiga Ana que era preciso mudar a água todos os dias. Para mudar a água ao peixe é preciso pescar o peixe, enfiá-lo noutro lado, mudar a água ao aquário e convencer o peixe que é para ir para ali. Ainda bem que tenho várias canecas de chá, uma delas está já transformada em cabine de mudanças do peixe.
E depois o peixe nada. Nada à volta e fica uma espécie de monstro aumentado pelo vidro. Ainda por cima é preto, de maneira que tenho sempre a sensação que o meu canto do olho está a ser invadido por uma comitiva de tarântulas. Nada disto cria qualquer empatia com a porcaria do peixe.
E nada fora de horas. Durante o dia dorme e eu espreito a ver se já está de barriga para cima…à noite arrebita e torna o meu canto do olho no inferno aracnofóbico acima descrito.
Ontem comi pescada ao jantar a ver se o peixe se enxergava. Mas não. Continuou a nadar à volta. Não me parece um bicho lá muito esperto. Não tem grande instinto de sobrevivência.
E o pior é que, lá para mais tarde, temo que não caiba no buraco da sanita…
Comments
15 Responses to “O peixe sem nome”
Outubro 6th, 2004 @ 13:29
Primeira regra: Nunca se devem comprar peixes de água fria. São horrorosos.
Segunda: Há redes próprias para os pescar.
Um erro: Nunca se despeja a água que está no saco para dentro do aquário novo porque pode vir contaminada.
Percebe nada disto…
Outubro 6th, 2004 @ 14:02
Prosa catita. Já pensaram qe o peixe também pode ter pensamentos acerca dos donos. E como é que seriam eses pensamentos?
Outubro 6th, 2004 @ 14:09
Tive vários peixes desses em miuda que nunca sobreviviam muito tempo, tiveram com as mais variadas doenças que culminaram num que saltou fora do aquário. Suicidou-se. E eu jurei para nunca mais. Nunca cheguei a perceber qual foi o problema daquele peixe, mas enfim. Só acho chato porque não duram tempo nenhum (pelo menos os meus).
Também hà quem seja da opinião que não se pode por água directamente da torneira, por causa do cloro. Ou se deixa a agua a “descansar” em garrafas ou compra-se um liquido qualquer para juntar à agua da torneira.
Outubro 6th, 2004 @ 14:15
Pode continuar assim por muito tempo. Aqui o meu “Henry” (que já tem mais quatro acompanhantes menores) continua de boa saúde) sobreviveu ao mesmo tratamento.
Quanto ao não caber no buraco da sanita, sempre podes considerar a hipótese de o transformar em “Fish Fingers”… Delicious…
)
Outubro 6th, 2004 @ 14:21
O líquido que a P refere chama-se precisamente anti-cloro.
Outubro 6th, 2004 @ 14:44
Que esperar, Catarina, de uma criatura que tem uma memória de 3 segundos? Respirar e nadar para eles já é demais… Aceita-o, independentemente das suas limitações.
*
Outubro 6th, 2004 @ 14:48
Peixe de escabeche
Ingredientes
1 peixe
2 Cebolas cortadas às rodelas
2 dentes de alho
1 folha de louro
óleo para fritar, q.b.
farinha, q.b.
vinagre, q.b.
Amanhe o peixe retirando-lhe todas as vísceras. Passe por farinha e frite no òleo.
Quando estiver frito retire e reserve.
No òleo ponha a fritar a cebola e o alho. Acrescente a folha de louro. Quando a cebola estiver frita regue com um bom fio de vinagre.
Ponha o peixe no fundo de uma travessa funda e regue com o escabeche.
Outubro 6th, 2004 @ 14:59
No mercado onde costumo fazer compras há um senhor que vende esses peixinhos adoráveis… e oferece garantia até chegar a casa. Com um prazo de validade destes, estou mesmo a imaginar… chaves à porta… “Ó main, puquê que o pêxe tá de baíga pó ar?”…
Outubro 6th, 2004 @ 15:03
Catarina, não deves mudar a água todos os dias, mas sim de dois em dois dias! É que a água da torneira possui elevados quimicos que podem matar o peixe mais cedo que a hora certa.
Outubro 6th, 2004 @ 15:04
E o herdeiro não tem uma palavra a dizer sobre o assunto?
Outubro 6th, 2004 @ 15:13
Engraçadíssimo o texto a raiar o humor negro.
Outubro 6th, 2004 @ 15:46
Mais um conselho: a água do aquário não deve ser tirada directamente da torneira, mas sim de garrafa. Ou então encher qualquer coisa com água e deixá-la de um dia para o outro. Esses aquários giros e redondos, que eu também já tive, têm esse inconveniente de ter de mudar a água todos os dias porque fica muito suja. Também existem produtos para medir o ph da água de modo a que o controles e o peixe sobreviva mais tempo. Ter SÓ UM peixe nâo é fácil. Acho que é melhores ires buscar o Gato Campos, the second, ahahahahhaha
Outubro 6th, 2004 @ 16:04
Coitado do Peixe …nem sabe bem o que lhe espera !!!
Outubro 6th, 2004 @ 17:07
Cuidado.
A água deve ser apenas de 2 em 2 dias e com cuidado com a água. Bem, com estes problemas todos, penso que ainda vais dar um outro caminho ao Peixe Campos.
ehehe
Outubro 8th, 2004 @ 10:25
Não sei se a intenção era escrever um post humorístico, mas foi o que realmente acabou por sair.
Se mais tarde não couber no buraco da sanita grelha-o primeiro que ele encolhe.