London Tube

Sentamo-nos e olhamos para a frente. Um cheiro a refogado que não se aguenta. Está um tipo esgroviado, a comer arroz de cenoura e ervilhas de uma embalagem transparente rectangular. Desviam-se os olhos para o outro lado onde está uma rapariga com um lenço cor de rosa enrolado ao pescoço, uma mini saia e perna cruzada, a ler um jornal. Olho para os sapatos de salto agulha muito alto e verifico que são, sem exagero, pelo menos três números acima do tamanho do pé. Ficamos aparvalhados “mas como é que ela consegue andar com aquilo?”. Ela sai numa estação anterior e ficamos a ver se anda bem sem chinelar. O espanto é que sim, anda normalmente. Deve estar com os dedos dos pés cravados nas biqueiras. Nunca pensei que fosse possível.

Quando saimos já vamos a meio da história. Os pais não a deixam sair naquela figura, pediu uns sapatos emprestados a uma amiga e leva as chinelas na carteira. Ou então não tem dinheiro para saltos altos e ofereceram-lhe aqueles. Não sabe que pode meter uma bola de papel na ponta e ficar com os pés mais atrás. Quando volta para casa, esconde os sapatos.

O tipo do arroz de cenoura e ervilhas continua dentro do metro,  a comer.


9 Responses to “London Tube”

  1. 1 monalisa

    Sabes que o problema da minha mãe é não gostar dos ingleses..foram muitos anos a viver no meio deles, tem que se lhe dar o desconto..por isso embora os londrinos de gema sejam cada vez menos, como tu bem dizes,agora quando lá tem que ir..aquilo está sempre cada vez pior. .DDD
    A primeira vez que andei no metro foi absolutamente incrivel..uma miuda de 12 anos,acabadinha de chegar de Portugal…imagina..devo ter ido a viagem inteira de boca aberta…mas mesmo anos mais tarde,acho que cada vez que andava era quase como ver um filme…
    Adorava o Peter Jones e o Habitat (acho que o de cá não tem comparação possivel)e havia um Boots algures em King´s road que também fazia as minhas dellicias.
    Mas a King´s Road na altura do inicio da era Punk é inolvidável.
    Uns anos mais tarde atravessei a fase artistitica/cultural e passei tardes,dias seguidos.da abertura ao fecho, dentro daqueles museus fantásticos em South Kensington e arredores,(devo ser a turista que melhor conhece o Victoria and Albert).
    Mas concordo contigo,Londres tem uma magia especial que nos transforma…larga-se este provincianismo bacoco e sente-se a liberdade..aquela que nos faz sentir vivos “and the hell with everybody else”

  2. 2 pp

    podes arranjar um “web tube” (mais conhecido por link, nao e’?) de la’ para aqui e’ que nao tenho o meu pc e ando aqui de apeadeiro em apeadeiro ate’ chegar aqui ;)

  3. 3 Summer

    Eu votava nuns freebies apanhados num sítio qualquer… devias ter ensinado à moça ke era só fazer “edit appearance” e a coisa resolvia-se num instantinho.

    E sim, eu sei, deixam-se os avatares à solta a comentar e depois só dá é nisto, hehehehe

  4. 4 psychic

    Eu gosto desse espírito do “ser o que é” do vestir o que apetece e das diferenças. Na verdade acho que um dos grandes problemas dos portugueses é olhar de lado a tudo o que sai do padrão e andarmos todos feitos clones uns dos outros a vestir o mesmo estilo. Mas enfim, culturas diferentes qual delas a pior? (eu confesso que gosto da maneira inglesa e nórdica (que é semelhante) de agir).

  5. 5 psychic

    Olha porra não me apercebi que era a psy lol… agora vou passar mais um dia a brincar com os teus comentos lol :P

  6. 6 catarina

    Monalisa, quando não se gosta de ingleses, nada a fazer :D Aquela cidade e aquela gente, é um bocado ou se ama ou se odeia. Imagino, imagino, essas viagens de metro de boca aberta aos 12 anos: eu fiz o mesmo na mesma idade! LOL! Sabes que ainda apanhei o JC Superstar e tudo? Já um bocado esfarrapado, mas ainda a bombar. Hehehehe. 1976, acho eu. Por aí.
    o Boots ainda existe, fui a esse (e mais a uns quantos, aquela loja é espectacular! Vim carregada de vitaminas Seven Seas, mas eles agora têm mesmo da marca Boots, acho que não tinham antes.
    Eu o V&A nunca tive grande saco, confesso…grande demais. Sou mais bolos e dinossauros no do lado. ;)
    É isso, aquela terra. Nada espanta ninguém, já viram muito pior: uma pessoa pode sair à rua como lhe apetecer, ninguém olha. Que bom que é.

    pp, já estás no teu pc ou queres o link de onde para onde?? (web tube, bem visto. :D)

    Summer, o que eu me ri a ler o teu comento. Por momentos pensei que tinha clicado no blog errado, era a pdi, etc etc. :DDDDDDDDDDD Pois é bem mais prático um edit app. ou até mesmo reduzir aquela sapata gigantesca. :D

    Psy, eu gosto deles. Nós somos muito cuscos, as pessoas acabam por se retrair. Enfim. Também temos coisas boas, eu depois logo me hei-de lembrar de alguma. :DD
    Brinca brinca, lol.

  7. 7 Schlumpy

    Uma mulher de salto alto em Londres é comum de ver. Em Lisboa é raríssimo… Será por causa da calçada portuguesa ou será que as portuguesas não sabem caminhar com salto-alto? Ou pior ainda… será que não têm pernas para o salto-alto?

  8. 8 catarina

    Schlumpy, quanto a mim é a calçada portuguesa, dá cabo de qualquer salto mais agulha. De resto, parece-me que as portuguesas sabem andar de saltos tão bem ou tão mal como todas as outras. Idem para as pernas.

  9. 9 Schlumpy

    Catarina,
    Estava a meter-me convosco. Um bocadinho de “polémica” aviva sempre a discussão :))))

    E não tenho quaisquer dúvidas que a calçada portuguesa assusta qualquer mulher, portuguesa ou não :)))

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