Eu nem gramo muito Saramago
Published by Catarina C. Dezembro 2nd, 2005 in 100nada.enfim, como pessoa pública, nas opiniões que dá.
E, para falar verdade, também me custou sempre mastigar aqueles princípios: até acabar por desistir.
Num único caso, li que nem uma louca, doida com o livro e sempre a pensar, bolas, se gosto tanto disto, também devo gostar dos outros, mas nesses acabei por nunca conseguir passar das páginas 30, 40, 50.
Até agora, no ‘As Intermitências da Morte’. Nem sei o que estão a fazer a ler este post nem eu a escrevê-lo, doida para continuar a ler. E caneco, o homem até pode ser execrável, mas escreve bem como sei lá o quê. Vou dar-lhe outra oportunidade em todos os que, em tempos, coloquei de lado.
Essa coisa da escrita é realmente fodida: um tipo pode parecer ser uma besta e escrever divinalmente. Mas há muitas vezes aquela embirração com a pessoa que o autor aparenta ser e depois influencia-nos a leitura. Ou o contrário.
É muito difícil ser-se completamento isento.
Isto serve para tudo.
(este post era de ontem, mas eu queria acabar o livro e deixei-o a meio - e ao livro quase no fim)

teste
Este é mesmo dos tais casos, consigo aliar perfeitamente a embirração pessoal ao homem com a escrita, apesar de ter gostado muito de dois livros dele; os outros são uma estucha de todo o tamanho para mim, não é só o escrever bem que conta, é o que a escrita nos dá.
De qualquer forma, só pelos elogios que lhe teceram da “inovadora ideia” que está por detrás da história, greve da morte, consequências e por aí…só me rio; o pessoal que faz crítica literária devia ler todo o tipo de literatura, inclusive ficção científica. Não que tenha algo contra a falta de originalidade, muito pelo contrário, por isso ainda fico mais de pé atrás quando se manda para a frente este tipo de mais-valia.
Boa leitura
Ah! Mas eu isso concordo completamente contigo. Até o meu rico Terry Pratchett já escreveu vários livros sobre a Morte (Dead), a família dela, os ajudantes que casam com a filha, a neta que é feiticeira, e no primeiro livro sobre o assunto (Mort) havia essa coisa de a Morte ir de férias e precisar de um ajudante. A ideia é mais que usada na ficção científica e na fantasia (e tu sabes que eu sou fã dos géneros), mas o livro é realmente muito giro, muito divertido e com muito ritmo. E repara, tirando o ‘Ensaio sobre a Cegueira’ eu tenho um pó ao homem dos grandes.
* ‘essa coisa de precisar de um ajudante’ não está no Saramago (isto de escrever a correr é no que dá).
A primeira vez que li Saramago devia ter 17 anos e nunca tinha visto a figura na vida. Amei! Foi dos primeiros livros que li como se fossem um filme. E desde sempre que cultivo a mesma opinião: o homem é um génio, não é so escrever divinalmente é escrever histórias divinais. Todos os génios têm direito a fazer um sem número de barbaridas e têm desculpa, entre elas fazer frases de uma página sem usar um único ponto final. E se ele que é ele faz assim, cabe-nos a nós, caso não gostemos, desistir. Pedir-lhe de outra maneira é impensável

E por acaso ando curiosa: e o teu?
Soinico: também acho que ele é um génio, e tirando os dois que li e adorei (o que li e este que estou a acabar) sempre achei, se não tenho paciência, o mal deve ser meu, claro.

O meu está em banho-maria.
Eu li o Ensaio sobre a Cegueira e adorei. Li o Todos os Nomes e gostei. Depois li o Memorial do Convento e rendi-me, e desde aí não consegui ler mais nada dele, não porque não tivesse gostado, mas porque AMEI de tal forma o Memorial do Convento que fiquei com aquela ideia de que nunca mais coisa nenhuma que ele escreva vai chegar àquilo
Karla, concordo perfeitamente contigo.
Eu li-o cronológicamente. Resumindo, desde o Memorial do Convento que não encontro nada de jeito no homem (ou seja, há mais de 20 anos).


Catarina. Prefiro o Terry Pratchett (os livros são mais baratos, e não preciso de olhar para ele).
Lá vou eu ser politicamente incorrecto, mas tem de ser: Nenhum escritor que tenha ganho um Prémio Nobel, escreveu a seguir alguma obra melhor que as anteriores.
Confirma-se com Saramago, este é talvez o seu pior.
Verifica-se no entanto, o mérito de chegar a leitores que antes não o conseguiam ler.
Desculpem lá, é só a minha opinião e como é evidente, vale o que vale.
Pois eu sou um fã sério do J.S. e (arrepia-te) adoro o seu estilo de escrita.
Um abração do
Zecatelhado
Nunca consegui ler um livro do Saramago…esse já por cá anda em casa, vou tentar!
Este vou ler, certamente!
Tenho é algum “receio” que seja uma coisa muito colada ao Ensaio Sobre a Cegueira. Não que não tenha gostado deste último….
Saudações
PS - Gostar mesmo, para mim, é Lobo Antunes! É daquelas coisas sem explicação!
Estou-me nas tintas para o mau feitio dos falecidos Dali, Picasso ou Vergílio Ferreira. Ou de Lobo Antunes ou Saramago. Porque o que me atrai e delicia é a obra de todos eles.
O Memorial do Convento conquistou-me pela riqueza da narrativa e uma forma de tornar as palavras apetitosas na voragem das frases. As Intermitências da Morte, como Todos os Nomes, são filmes de acção onde o sorriso nos aflora os lábios de forma cúmplice. Já todos pensámos aquilo mas não o escrevemos.
Estou-me nas tintas para o mau feitio dos falecidos Dali, Picasso ou Vergílio Ferreira. Ou de Lobo Antunes ou Saramago. Porque o que me atrai e delicia é a obra de todos eles.
O Memorial do Convento conquistou-me pela riqueza da narrativa e uma forma de tornar as palavras apetitosas na voragem das frases. As Intermitências da Morte, como Todos os Nomes, são filmes de acção onde o sorriso nos aflora os lábios de forma cúmplice. Já todos pensámos aquilo mas não o escrevemos.
Estou-me nas tintas para o mau feitio dos falecidos Dali, Picasso ou Vergílio Ferreira. Ou de Lobo Antunes ou Saramago. Porque o que me atrai e delicia é a obra de todos eles.
O Memorial do Convento conquistou-me pela riqueza da narrativa e uma forma de tornar as palavras apetitosas na voragem das frases. As Intermitências da Morte, como Todos os Nomes, são filmes de acção onde o sorriso nos aflora os lábios de forma cúmplice. Já todos pensámos aquilo mas não o escrevemos.
Fiz-te referencia noo meu blog, espero que não te importes com a pub gratis
beijoca, feliz natal
Catarina,
Tanto na escrita como noutro tipo qualquer de arte.
O/a artista pode ser detestável, e a obra ser fantástica; normalmente, o público - nós - é que temos a tendência para confundir as coisas.
Embora não tenha nada contra o Saramago, e, sim o homem é excelente escritor, e acabei o “Intermitências da Morte” há dois dias, e é do catano o livro.
Olha, agora estou a ler Terry Pratchet alternado!
Gosto do Pratchet (especialmente do chapéu de cowboy), e do Discworld…
mas a mim é mais Douglas Adams. Já vi que gostas dele por causa do subtítulo do blog.
Há uma outra tirada dele que me diz muito: “It’ss a mistake to think you can solve any major problems with potatoes.”
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