No semáforo vermelho
Para peões. No semáforo vermelho para peões e verde para os carros, a subir a João XXI, que é uma coisa que se faz dando algum gás, atravessa-se à minha frente um velho, que não só é lento, como cego à cor do semáforo para peões. Como cereja no bolo, traz muletas. Um velho de [...]
No semáforo vermelho
Saem da sombra, os dois. Param. Olham à volta à procura de qualquer coisa. Aparentemente qualquer coisa serve, porque se sentam num banco no meio de um passeio com vista para uma rotunda ao lado de uma criatura com uns sacos. Riem-se e acendem cigarros como se fossem os últimos. Ou os primeiros. Não dou [...]
No semáforo vermelho
Passam pessoas. Nada de especial acontece, ou então o mesmo de sempre. Os tipos que estendem jornais, os que estendem a mão. Passam pessoas. Umas olham para a frente, outras para os lados, outras para as outras, outras para os carros. Uma velha muito lenta deixa cair qualquer coisa, curva-se para a apanhar. Uma rapariga [...]
No semáforo vermelho
(5 de Outubro)
O semáforo estava vermelho, realmente, mas era lá mais ao fundo, para duas das filas. Para as outras (duas?três?) estava verde. O que quer dizer que estavam cinco filas de carros, uns mais devagar, outros mesmo depressa. No passeio está uma rapariga que já atravessou o outro lado a correr à frente dos [...]
No semáforo vermelho
(5 de Outubro)
Está um pobre aleijadinho a pedir. Sofre de uma canadiana, arrasta as duas pernas que entortam para dentro e de tremuras pelo corpo todo. Para além disso sofre de um caparro porreiro, barba por fazer e cara de quem arranca máquinas de multibanco só à força de braços, nas horas vagas. Estende as [...]
No semáforo vermelho
(Campo Pequeno)
Está um carro bastante velho à minha frente. Noto-lhe a matrícula, as letras em primeiro lugar, a marca depois, uma coisa qualquer, do tempo em que certos modelos eram iguais em várias marcas. Cinzento sujo. Nada a assinalar, tirando algum fumo a mais a sair do escape e estou ali a pensar na vida [...]
No semáforo vermelho
(meio da Av.Berna, hora de ponta)
Oiço um carro a apitar e não ligo nenhuma. Mas depois percebo que são buzinadelas seguidas, compridas e que não param. Olho para todos os lados e começo a ver, pelo espelho retrovisor, um carro a tentar avançar pelo trânsito (compacto), sempre a mudar de faixa. Alguns carros afastam-se e [...]
No semáforo verde
Sim, no verde. Não é mais um post da série no semáforo vermelho. Nos semáforos verdes não há posts. O que há mesmo é peões a atravessar a rua a correr à frente dos carros.
Eu estou em total acordo e solidariedade com toda a gente que quer ver enforcados todos os cabrões que não deviam [...]
Semáforos vermelhos e as montras do Rossio
Os meus cheiros matinais são sempre os mesmos: torradas e café acabado de tirar, o primeiro tabaco do dia, gel de banho e perfume em mim, champoo sonolento nos cabelos do meu filho. Depois há o cheiro da terra molhada, dos cocós de cão, de bolachas comidas no carro, de escapes e maresia diluída.
No [...]
No semáforo vermelho
Com pouca convicção, as meninas das bandeiras cor de laranja acenam. Uma de um lado da rua, a outra do outro, ao lado dos semáforos verdes. Levantam um bocadinho a bandeira, baixam. Quando o semáforo muda para vermelho, as meninas atravessam a rua ao mesmo tempo. Por segundos penso que, quando se cruzarem no meio, [...]
No semáforo vermelho
Na faixa da direita, uma camioneta de obras com um tubo ligado lá em cima, a retirar entulho. Nas outras faixas os carros amontoados. No semáforo, um polícia a mandar andar os carros, com o sinal verde. Três gestos com o braço esquerdo, um com o direito e recomeça com o esquerdo.O semáforo muda para [...]
No semáforo vermelho
Olho para o relvado (grama? erva aparada? depende da altura eleitoral em que foi colocado) ao lado, estão, conto-os, seis homens com um enorme pano ou plástico – metros e metros dele – estendido no chão. Estão a dobrá-lo. Primeiro não percebo o que é, parece-me coisa insólita, penso, será um pano para andaimes, mas [...]
No semáforo vermelho
está parado um autocarro de dois andares. O de cima é sem tecto e, nesse andar, uma série de cabeças todas brancas; reformados turistas, vindos de países onde já é inverno, muito brancos, quase da côr dos cabelos, à procura do sol. Encontram-no ali, a cair-lhes em cima à hora de almoço. Preocupo-me em encontrar [...]
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