As mais-valias do peixe frito (com arroz de cenoura)
Posted on | Junho 29, 2006 | 15 Comments
(o arroz de cenoura está ali no título, como no prato: só para servir de acompanhamento)
Não é que eu não goste de pescadinhas de rabo na boca. Gosto imenso, na verdade. Pelo-me por aquilo, como aliás me rendo a todo o peixe frito, com especial destaque para a petinga.
Mas pescadinhas de rabo na boca porquê? Isto tem alguma lógica?
Vejamos:
está uma criatura qualquer na cozinha, com uma trabalheira doida, a agarrar nas pescadinhas, a torcê-las e a enfiar com os rabos nas bocas dos peixes. Depois o resto, temperos e fritura e prato. E um gajo olha para aquilo, anda ali às voltas a tentar tirar o rabo de dentro da boca e a tentar arranjar um peixe que está com as espinhas todas tortas e fora de sítio. Palavra que não percebo a lógica disto.
Não há ninguém que explique que se podem fazer pescadinhas de rabo na boca sem realmente terem o rabo na boca? O rabo na boca acrescenta alguma coisa de relevante?
São as mais-valias. Pois é.
Comments
15 Responses to “As mais-valias do peixe frito (com arroz de cenoura)”
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Junho 29th, 2006 @ 14:46
também conhecidas, por pescadinhas ao desespero. para desespero de quem as come
Junho 29th, 2006 @ 14:48
Não sei se o rabo na boca acrescenta cualquer coisa, mas se o peixe está bem fritinho, é delicioso…
Mas isso é uma trabalheira; tem certeza que não vendem o peixe já com o rabinho na boca?
Junho 29th, 2006 @ 15:00
Podes crer, aNa! Tá bem vuisto esse nome!
Ferran, olá!
))
É delicioso sim, eu adoro aquilo, tanto que ultrapasso o tal desespero.
Se se vendem assim não sei, mas alguém faz aquilo, que no mar acho que não andam assim…;)
Junho 29th, 2006 @ 15:01
Now again, in english, OUTSTANDING!
Maravilha pela forma notável como de um não-tema consegue fazer um texto com tanta graça.
Comentando, não sei porque lhe põem o rabo na boca. Comentando, e os jaquinzinhos?
Comentando, falta-lhe a tal tascosa do campo onde, quando perguntei, ’sardinhas com quê?’ a resposta breve e um tanto atónita foi ‘com pão.’; o ‘claro!’ ficou a pairar, no ar… só não assustou porque a atenção foi logo ali para a água pé. AS! branca e tinta… Você passava-se (s’ainda fosse possível)
Um abraço
Junho 29th, 2006 @ 15:05
Obrigada, Pirata.
Também vou tendo as minhas tascas no campo, dessas da sardinha com pão, como se não existisse mais opção.
Os jaquinzinhos, imperdoável esquecimento! até porque a petinga está interdita…
Junho 29th, 2006 @ 16:01
Deve ser uma questão estética, de “fazer bonito”, ficar assim ‘argolinhas de peixe’; mas só lhes deu para as pescadinhas, carapau de rabo na boca não dá…
Junho 29th, 2006 @ 19:29
Faxavor de não inventar! Pescadinhas-de-rabo-na-boca têm que ter o rabo na boca, conforme o próprio nome diz! Ou será a boca no rabo? Agora já me baralhaste!
Junho 29th, 2006 @ 19:50
Deve ser para terem mais arrumação na frigideira… ou então algum arremesso de haute cuisine
Junho 29th, 2006 @ 19:59
arremedo, arremendo eu sem medo, q’mais vale tarde que ficar quedo.
(que se me desculpem as frontarias… frontalidades, digo!)
Junho 29th, 2006 @ 22:32
A primeira vez que fritei pescadinhas com o rabo na boca, queimei a cara toda. Não tinha percebido que não era friá-las com o rabo na minha boca.
Junho 30th, 2006 @ 1:39
Se calhar já andam assim no mar. Ele há bichos com hábitos e fetiches muito estranhos…
Junho 30th, 2006 @ 11:47
Apesar de esteticamente me arrepiar aqueles olhinhos de pescada mal mortos a olhar para mim e ainda por cima a morder em si própria, sempre digo que numa frigideira se fritam 4 de rabo na boca enquanto que esticadas só se fritavam 2 e com jeitinho.
Junho 30th, 2006 @ 12:30
Depois arrependo-me sempre, mas na altura sabe tão bem!
Nota Prévia: Eu deveria guardar este post para as três e meia, quatro da tarde; dessa forma conseguiria atazanar uma data de leitores e era muito mais giro. Mas eu nestas merdas desorganizo-me sempre. Sei os truques todos do blogar…
Junho 30th, 2006 @ 14:18
Eu não digo que os meus comentadores são os melhores de todos? O que eu me ri com tudo isto!
)))
Obrigada!
Junho 30th, 2006 @ 23:51
Sabes… foi um choque quando vi uma peixeira enrolá-las e pôr-lhes o rabo na boca (das pescadas, o rabo das pescadas). Não sei, devo ter achado que morriam já assim, algum ritual marado em que mordiam o próprio rabo. lol